terça-feira, 8 de novembro de 2011



Por Thiago Augusto

O filme, Os Deuses devem estar Loucos 2, trás com o seu tom cômico uma criticidade que se faz presente em toda a obra. Não se trata de uma produção hollywoodiana com suas mega explosões e ensaios do estilo de vida norte americano, mas do estranhamento de culturas, onde emanam etnocentrismos, aculturações e novas perspectivas diante do contato com o outro. Desta produção, podemos extrair uma reflexão sobre o contato entre duas culturas completamente diferentes: De um lado, temos um bosquímano simples, gestual e sincero, habitante de uma tribo pacata situada em Botswana, no deserto do Kalahari e, do outro lado, tem a Sociedade Ocidental repleta de suas tecnologias e vícios. O interessante que o filme passa uma sugestão crítica para nós ocidentais: Um breve olhar; uma palavra oportuna, um aceno espontâneo, um sorriso franco, são, por vezes, mais eloqüentes do que um grande discurso.

O filme curiosamente proporciona uma observação de um espaço diferente do nosso: As paisagens africanas em contraponto as nossas paisagens de “arranha-céus”. A organização comunal dos nativos em detrimento da organização ocidental extremamente conflituosa e individualista. Além disso, podemos dizer que o próprio título do filme é sugestivo: “Os Deuses Devem Estar Loucos”, pode-se dizer que tudo aquilo que foge de nossas crenças é tido como estranho, diferente e inusitado. Os Deuses representam, para o bosquímano do Kalahari, a tradição, a ordem moral, ou seja, a normalidade, dizer que eles enlouqueceram significa que algo está fugindo dessa ordem: O contato com a civilização ocidental.

Xixo, o Bosquímano que passa o filme em busca de seus filhos, pode ser considerado um “bom selvagem” até pelos seus gestos: Sua linguagem alheia aos estrangeiros, suas interpretações simples, sua ingenuidade e seu eterno sorriso, tudo isso, em contraponto, a malícia, individualidade, tristeza e friezas ocidentais. A maneira própria como ele encara as desventuras pelas quais os ocidentais passam reflete seu posicionamento no mundo, mundo este que se estende até o horizonte visual do Kalahari. Xixo vê o outro não de cima como seria comum para os estrangeiros enxergá-lo, mas com certo desinteresse, talvez por causa da missão com a qual o acaso lhe incumbiu de resgatar seus filhos ou porque os estrangeiros não possuíssem, a princípio, valores que se assimilassem aos seus. No entanto, o bosquímano por vezes se vê impulsionado a ajudar os outros, materializando desta maneira, os valores de sua cultura como solidariedade e desapego ao individualismo.

O mundo ocidental é visto, no filme, do ponto de vista de um bosquímano. Normalmente, temos uma postura etnocêntrica, analisamos outras culturas como inferiores e de acordo com nossas crenças, não relativizando o nosso olhar e tendendo a chamar culturas como as dos bosquímanos de selvagens. Utilizamos nossos conhecimentos e preconceitos para atribuir aos fatos seus significados de acordo com as crenças de nossa cultura. O filme além de passar essas mensagens deixa uma questão para reflexão que diz respeito a se é possível manter o modus vivendi respeitando diferenças e buscando a compreensão da cultura do outro sem desqualificá-la a um estamento inferior, afinal, somos todos iguais no oceano da diferença.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Palestrante: Renata Pimentel

A professora do departamento de Letras da UFRPE, Renata Pimentel, foi a terceira palestrante do seminário múltiplas escritas, coordenado pela professora Tany Monfredini no 1° período do curso de Ciências Sociais. Renata conta sobre o surgimento de sua paixão pela escrita e leitura, partindo de como ela foi apresentada ao livro Lavoura arcaica, livro que a levou a conhecer seu autor, o escritor Luiz Fernando Carvalho.

Renata também, assim como os outros palestrantes do múltiplas escritas, compartilha com os ouvintes sua história acadêmica e suas produções, atentando para o seu livro intitulado: “Copi: transgressão e escrita transformista”. A professora fala sobre a vida e obra do ficcionista, dramaturgo, ator e cartunista argentino Raúl Botana, mais conhecido como Copi e como se deu o interesse e o processo de pesquisa para a construção desse livro.

Renata Pimental trás em seu discurso questões que dizem respeito à “autonomia do texto acadêmico”, “limitação da academia” e “limitação na criação”. Ela questiona algumas barreiras que há na elaboração de produções acadêmicas, o que, na visão da professora, limita o autor e impede-o de trazer algo novo e ungido de criatividade e interesse do mesmo. Parafraseando Renata em um determinado ponto de sua fala, ela diz: “A gente tem que construir a escrita na academia daquilo que nos é oportuno”. A frase em aspas é o eixo da sua explanação a respeito da multiplicidade que a escrita tem na vida acadêmica de um universitário.

(Por Thiago Augusto)

Palestrante: Samarone Lima

O jornalista e escritor Samarone Lima foi o segundo palestrante do seminário múltiplas escritas. O escritor falou inicialmente da sua vinda para Pernambuco, entre contos com teor cômico e narrativas de vida, ele deu sequência expondo como desenvolveu-se seu processo acadêmico. O jornalista que é autor de Zé, Clamor e viagem ao crepúsculo, seu último livro, dividiu com os alunos ouvintes a história da gênese e processo de construção desses livros, embasado na idéia da importância do Jornalismo Literário para com a escrita acadêmica.

Samarone conta no decorrer de sua fala como foi sua ida a Cuba, onde, dessa viagem, surgiu o livro viagem ao crepúsculo, construído como uma antirreportagem, sem fontes oficiais, investigações, levantamentos de dados ou, nem mesmo, perguntas. Este método do qual o autor se valeu para dar mais vivacidade ao livro, contemplando os anseios e opiniões dos Cubanos em relação ao modelo político/econômico em que estes “repousam” foi preponderante para a liberdade literária que forneceu subsídios para a materialização do livro supracitado.

O autor de viagem ao crepúsculo ainda fala na sua narrativa do estranhamento que há quando se perpassa a “Cuba para turista ver”, ou seja, quando o turista se envolve com os Cubanos e percebe, segundo Samarone, que a propaganda emanada do governo Castrista não condiz com a realidade que paira sobre a vida dos cubanos.

Samarone deixa com sua exposição a noção de que a construção textual além de padronizada pode ter múltiplos arquétipos, portanto que a idéia central seja exposta e configurada de maneira sólida, coesionando as matérias que uma boa história fornece ao produtor textual.

(Por Thiago Augusto)

Palestrante: Kalina Vanderlei

“Doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professora da Universidade de Pernambuco (no Departamento de História da Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata e no curso de mestrado em Hebiatria da Faculdade de Odontologia de Pernambuco). Autora do Dicionário de conceitos históricos, publicado pela Editora Contexto”, Kalina Vanderlei foi a primeira palestrante do seminário múltiplas escritas coordenado pela professora, mestre e doutora Tany Monfredini. Seminário este, dividido por três exposições, das quais, como dito, Kalina iniciou com suas explanações a respeito da escrita no mundo acadêmico. As exposições subsequentes, foram palestradas pelo Jornalista Samorone Lima e a professora Renata Pimentel.

Kalina inicia sua fala compartilhando com os ouvintes sua experiência com a escrita, desde seu ingresso na academia até os dias que precedem o seminário múltiplas escritas. Sua trajetória acadêmica está estreitamente ligada com o ato de escrever, e ela não ignora isso quando trata de suas inspirações para o desenvolvimento do trabalho científico. A doutora em história em alguns pontos de sua fala parece dar dicas de como “sobreviver no mundo acadêmico”, termo usado pela mesma na possível intenção de fazer com que os ouvintes percebam que a leitura assídua e a boa escrita são essenciais para o sucesso no âmbito acadêmico. A paixão pela escrita, segundo kalina, deve ser diretamente proporcional a paixão pela leitura, essa simbiose proporcionaria tanto o sucesso, dito acima, quanto o desenvolvimento do trabalho científico, que seria conseqüência do ler e escrever do pesquisador.

Kalina ainda expõe aos presentes seus livros cuja temporalidade situa-se basicamente nos séculos XVII e XVIII, período em que ela vem especializando-se e, do qual, saem os interesses de suas produções textuais. Ela ainda compartilha seu “namoro” com a praia de Maracaípe, litoral sul de Pernambuco, e confessa que é desta praia que suas inspirações são animadas para o esboço daquilo que venha a ser suas futuras produções. A idéia de inspiração está presente em boa parte do discurso da doutora em história e parece ser o cerne do mesmo, onde buscar escrever sobre aquilo que se tenha interesse é a melhor forma de produzir bons trabalhos científicos.

(Por Thiago Augusto)

domingo, 11 de setembro de 2011

O mito da raça

Thiago augusto F. e Silva / thiagof_22@hotmail.com

Pedro Duarte / Duarte_pedro@hotmail.de

Estudantes do 1º período de Ciências Sociais.

Nossa proposta de pesquisa para a disciplina de metodologia do estudo científico lecionada pelo professor Gilberto Farias tratará do mito da raça. A idéia de raça contaminada pela política enquanto instrumento de dominação e ou segregação deverá ser o eixo central da pesquisa em questão.

Abordaremos a gênese do conceito moderno de raça em conjunto com a historicidade da qual este conceito faz parte, passando pelos principais nomes das ciências naturais e humanas que tiveram seus trabalhos estreitamente ligados ao tema proposto, com o intuito de buscar respostas que tragam luz e desmistifiquem algumas afirmações do senso-comum no tocante à “raça”. Discutiremos as funções políticas que a raça teve na linha recente da história, onde a história colonial, os nacionalismos raciais (EUA, Alemanha nazista e Ruanda) e o Pan-Africanismo foram atores da construção e desconstrução dos mitos raciais que regeram seus períodos.

Por fim, analisaremos como se trata as questões raciais nos dias atuais e como este conceito é envolvido em uma nova embalagem que se materializa na linguagem do multiculturalismo. Buscaremos fontes em livros, entrevistas, mídia áudio/visual e visitas que engrandeçam o conteúdo da pesquisa a fim de promover uma interação com o tema proposto.

domingo, 22 de maio de 2011

Oi, eu sou assim. Você quer ser meu amigo? (Tosses) estou um pouco gripado, garganta irritada, deve ser a idade, mas há algum problema para você? Estamos em 2063 e nada mudou, as pessoas continuam a se digladiar por status, pelo lucro e pela vaidade. Você é assim?

Lembro-me de quando eu era um rapaz, tenho saudades daquela época sabe? do que você sente saudades?

Quer saber como eu era no início dos anos 2000? passeie por esse papiro virtual e também leia o que eu pensava neste blog, vamos, fique à vontade.

Sabe, aquela época era mais agradável em alguns aspectos: As crianças respeitavam os mais velhos, os políticos não saracuteavam tanto e os impostos nem eram tão altos como os de hoje, ahh o início dos anos 2000.

Espera... Isso não eram os anos 2000, eram os anos 1960. Eu não vivi essa década. (confuso) Estou cansado, vencido pelo tempo, mas..... Ainda amo, isso, Amo a minha véia, Iliana Louise, está cá ao meu lado fazendo crochê virtual, mais que mania!

Bem, tenho que ir, meus filhos chegarão logo, é natal sabe? Eles trarão suas esposas e meus netos. A casa ficará cheia em instantes, estou ansioso!!! Depois do almoço iremos visitar Recife, na verdade, as plataformas que existem lá. Recife sucumbiu ao aquecimento global nos anos 2040. Mas há uma série de atrações nessas plataformas que recontam a história daquela linda cidade banhada pelo extinto Capibaribe.

(silêncio nostálgico) até logo amigos, quem sabe nos vemos numa dessas, como eu dizia quando era moço (risos cansados)...

Por Thiago Chicão

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por Thiago chicão:

“A memória é uma ilha de edição” Alguém disse isso. Às vezes existem coisas das quais não queremos lembrar, memórias que nos trazem um sentimento ruim e que contagia o perímetro do qual fazemos parte. A materialização dessas imagens tornam o dia lúgubre: A casa, o bairro, os parentes, os iguais...

A fase diz que estamos em outro contexto e que nele há novas invenções cujos propósitos são apreciáveis, mas... E os medos? Estão cada vez menos, perdem espaço para as neo-peocupações, tornam-se constantemente memórias, paupérrimas memórias.

- Nós estamos vendo aquilo que podemos ver.

- Tirem o cabresto!Olhem! O que vêm?

- Agora vemos aquilo que queremos ver, muito obrigado.

- Por nada

- Como se chama?

- Não importa, o que vocês devem saber é que sou agora o que será memória.

Alguns sorriram.

quinta-feira, 28 de abril de 2011


Por Thiago Chicão:

O racismo no final do século XIX e começo do século XX, época do maior contingente imigratório apoiado pelas políticas e subsídios à imigração européia, apresentava um método que parecia consistir na invenção de um Brasil para inglês ver, segundo as palavras do sociólogo e doutor em geografia humana Demétrio Magnoli, ou seja, ocultava-se a verdadeira identidade dos brasileiros cujos diferentes fenótipos acusavam uma miscigenação de raças e, por conseguinte, um retrato não-branco do povo brasileiro em sua totalidade em prol de um tipo brasileiro cujos caracteres seriam europeizados.

A concepção de branqueamento embasada pelas teorias eugênicas em que havia uma grande preocupação em misturar o imigrante europeu branco com o brasileiro a fim de estabelecer uma “regeneração da raça” foi fortemente disseminada no meio político-intelectual, legitimando uma ideologia cujo propósito seria dar ao Brasil uma cor padrão, livrando-o das características “indesejáveis” das outras “raças” que eram tidas como inferiores e, por sua vez, incapazes de participarem do projeto branqueador por via da mestiçagem.

Segundo a revista "Der Spiegel" o presidente dos EUA, George W. Bush, em novembro de 2001 não sabia que havia negros no Brasil. Na ocasião, Bush teria perguntado a seu colega brasileiro, Fernando Henrique Cardoso: "Vocês também possuem negros?". Isto faz pensar na idéia em que, por este episódio, alguns brasileiros ainda continuam, certamente, vendo-se a partir dos olhos dos brancos estrangeiros: europeus e americanos. Por mais ingênua que essa pergunta pareça, ela orientou durante muitos anos (durante os primeiros setenta anos do século XX) a política e a cultura nacionais.

A crença na inferioridade genética das raças não brancas e na sua incapacidade de ascender à civilização foi contrabalançada por uma crença na seleção natural e social, que, através da mestiçagem, conduziria a um povo branco (pelo menos na aparência) nun futuro próximo. (Seyferth, 1986:54).

· Os sanitaristas:

Ainda no século XIX, segundo o sociólogo Magnoli em entrevista ao Roda viva da Tv cultura, dizia-se que o povo brasileiro ficava doente porque ele era miscigenado e a miscigenação produzia degeneração. Essa era uma idéia tipicamente do pensamento racial, idéia esta que caiu por terra quando os médicos sanitaristas em meados da década de 1910, com seus conhecimentos da saúde dos brasileiros e das condições sanitárias em grande parte do território nacional trouxeram respostas avessas àquelas com uma perspectiva racial. Os sanitaristas propunham um novo réu para a “indolência, preguiça e improdutividade” de certos brasileiros, eles diziam que o culpado era o abandono das elites políticas para com o brasileiro, o descaso e o “mosquito” causavam a doença. Isto fez com que o Monteiro Lobato, por exemplo, retificasse a afirmação na qual o “Jeca Tatu era doente”, Lobato passava a dizer agora que o “Jeca estava doente”.

· A mídia como reprodutora da ideologia racial

O racismo não é inato ao homem, aprende-se por via de um processo de aquisição ideológica e prática. Parafraseando Teun A. van Dijk em Racismo e discurso na América Latina: “as pessoas aprendem a ser racistas com seus pais, seus pares, na escola, com a comunicação de massa. Essa aprendizagem baseia-se no contar de histórias diárias, nos livros, na literatura, no cinema, nos artigos de jornais, nos programas de TV, nos estudos científicos, entre outros.”

A reprodução do status quo por intermédio da indústria cultural acaba legitimando a posição da classe dominante sobre a classe dominada, sendo esta última composta pelo contingente de afro-descendentes em sua grande maioria. Isto implica numa percepção crítica a respeito desta indústria para com os negros que consomem e são consumidos por este Leviatã reprodutor e alienador. A perspectiva ainda lança mão de refutações sobre a idéia de “democracia racial” no Brasil, na qual pode-se constatar através de dados e pesquisas e na própria mídia que neste país os negros não assumem índice percentual regular em cargos de liderança, tampouco em posições sociais de prestígio, o que configura um desequilíbrio na balança da “igualdade racial”.

Talvez um exemplo Pop do racismo obscuro, na contemporaneidade pode ser analisado através do programa Big Brother Brasil. Este Programa que lida com identidades e confina pessoas de temperamentos e classes sociais distintos em uma casa para serem observadas, trás dados que parecem dar razão à frase do sociólogo Demétrio Magnoli em que se fala em um “Brasil para inglês ver”. Nas 11 edições do programa houve 166 participantes cujo quantitativo de negros é correspondente a 12,6% deste total, o que parece, assim como nos séculos XIX e XX que ainda há uma necessidade e/ou prática de inculcação para negar o “tipo” característico brasileiro em prol de um fenótipo europeizado, cria-se um pseudo-brasileiro em sua totalidade que negue à sua cultura e fotografia oficial.

O Brasil é um País que comporta vários grupos étnicos das mais variadas cores, mas que apesar disto não contempla todas estas, e sim, uma única cor, denominada por “branca”. Há 40 anos a situação tem mudado em alguns terrenos da questão racial, mas ainda consiste uma peleja dos grupos minoritários por mais espaço nas universidades, na política, na mídia e em determinados setores da vida social, de forma menos díspares a fim de conter esse racismo disfarçado e consolidar seu lugar na sociedade.