segunda-feira, 27 de dezembro de 2010



Querido leitor!

Venho por meio desta, lhes notificar sobre o conto mais inesperado dos últimos anos. Conto este, que o Machado de Assis o José de Alencar ou até mesmo o Mestre Alípio, o mestre do Besouro, não teriam pensado em 500 anos de Brasil.
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É necessário informá-los que esse conto é verídico e todas as personagens e lugares mencionados aqui são reais.
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O ápice desse conto se passa às 1h da manhã de um sábado do dia 07/11/2009 na Avenida Abdias de Carvalho de fronte ao Clube da Chesf. A personagem principal que até a alguns minutos antes da hora-ápice se munia de todos os estereótipos e paradigmas de um ``MACHÃO´´ , atende pelo nome de Madson Bezerra, o TICCO.

O TICCO, um típico transeunte, desses que você vê passando de calças surradas, camisas regatas, cigarros e boné é o nosso herói. Ele, que é oriundo de Pernambuco e corresponde aos traços miscigenados de crioulos e tapuias, dando ar ao fenótipo ``Nordestino cabeça chata´´, é que nos presenteia com esse conto digitalizado acerca de suas desventuras. Uma marolinha, diante do tsunami que são as compilações de todas as suas histórias – Como diria o Mr. Presidente Lula -, mas uma marolinha que se faz necessária relatar neste espaço.
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A seguir: o dia em que o macho virou homem...

Éramos 6 naquela noite, posteriormente estaríamos em 5 com a deserção do nosso amigo TICCO. 8 horas antes do ocorrido eu recebera o meu remunerado salarial e em seguida ligara para o meu amigo Gabriel, convidando-o para ``Tomarmos uma´´. Ele, do outro lado da linha, fadigado por sua jornada de 4 horas de trabalho, sinalizou positivamente com o nariz e respondeu-me: - Topo, topo, vamos cair para dentro – Confirmando, assim, a nossa ida ao sofisticadíssimo e tradicional camarão do Léo, Algumas horas depois eu me arrumara para ir ao tal barzinho, quando, de repente, ouço a voz eufaniana de um atabalhoado compadre, cujo o vocabulário erudito possuía mais de 150 verbetes catalogados no Aurélio.
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Perguntando-me – E aê... Raí sair pra onde maxo*? – Era o TICCO, na porta de minha propriedade..

Fomos os dois ao encontro do Gabriel no intuito de irmos todos ao mencionado bar. Ao nos unirmos, ligamos para um 4° amigo, o Harmando, um homúnculo cujo o biótipo nos remete a um Robbit das fábulas epopeicas de J.J. Tolkien. O harmando nos dissera que nos encontraria no caminho, então, fomos em direção ao nosso objetivo. Logo em frente, no cruzamento da Rua Dona Maria Augusta Nogueira com a Avenida Abdias de Carvalho, encontramos um 5° amigo, o Celso, uma figura de aparência polarizada e um tanto quanto ambígua, que nos remetia a um ator mirim de novelas, homogeneizado com um dos personagens de Fudêncio e seus amigos. Juntos, encontramos logo mais a frente o Harmando e seguimos ao bar...

Bebemos e rimos das mais variadas anedotas, uma reunião típica e saudável, o TICCO imbuído pelo seu espírito orador nos ensinara a diferença de um homem e um macho, lembro-me de ver o rubro em seus olhos decorrentes da absorção de tabaco e levedura. A hostilidade com que ele antagonicamente desfragmentava às suas idéias na roda fraterna nos mostrava o seu caráter NEO-FUNDAMENTALISTA-TICCOCISTA, louvável a qualquer um que tenha concluído o ensino médio no colégio Othon Paraíso.
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Resolvemos ao cabo de algum tempo irmos ao bar da fava, onde a cerveja era gelada e o ambiente mais convidativo à saúde financeira de todos, o TICCO titubeou em não ir, mas deu-se por vencido.

Eram quase 1 hora da manhã, andávamos a pé e ríamos em uníssonos, O TICCO ainda trazia consigo a alegoria do homem e do macho. Ele realmente quase nos convencera do que propunha, quando, de repente, um automóvel branco, com dois homens aproximaram-se de nós, estávamos de fronte à Chesf, não tínhamos percebido o perigo iminente, mas o TICCO não... Ele havia notado algo atípico, estranho. O TICCO trajava um boné azul, um blusão branco, calça, sandália e havia um cigarro em sua mão esquerda. A menos de 8 metros, os dois homens desceram do automóvel, um deles apontando uma arma de calibre desconhecido para nós, enquanto o outro nos pedia freneticamente para pararmos e pormos as mãos onde lhes fossem cômodo. Neste instante dar-se início a um inimaginável acontecimento do qual se tem notícia, desde o fenômeno da Estafanie do CrossFox.

TICCO, movido pelo ímpeto do seu instinto de Homo de Neanderthal nos deixou com as mãos nas cabeças de fronte ao paredão e CORREU... CORREU compulsivamente daquilo que para ele seria um acerto de contas, uma queima de arquivo ou uma cocó como ele costuma dizer.
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O nosso herói atravessou as duas faixas da avenida sem olhar para trás, levando consigo apenas um cigarro e o objetivo de ser o único sobrevivente de uma suposta chacina. O sentimento fraterno já não mais fazia parte do seu âmago – Fernando Anitelli diria: a cria que se crie, eles que se danem – TICCO, abruptamente adentrou naquilo que seria uma viela e que ficara a poucos metros da ocorrência. Ele não titubeava, queria chegar logo em seu esconderijo. Nesta viela, carinhosamente chamada de beco do cocô, já não haviam mais transeuntes que atrapalhassem a sua incursão.

Ele chegara em seu esconderijo, estava são e salvo, nele pairava agora um sentimento ambivalente, comum a todos nós, ofegava compulsivamente e construía em sua mente premissas para um argumento convincente. A todo o momento sentia-se não fudido, não subjugado, não parte de uma estatística. TICCO, o nosso herói, não morrera!!!
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Enquanto a nós... Nós fomos revistados pela partícula dos 15% do contingente dos policias civis que não estavam em greve naquela noite.